
Conhecida por hits como ‘Because you loved me’, ‘Un-break my heart’ e ‘I don’t want to miss a thing’, compositora concorre em 2025 pelo oitavo ano seguido Vencedora do Grammy, do Emmy e do Globo de Ouro, eleita para o Hall da Fama dos Compositores, dona de uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, artista com nove canções que atingiram o primeiro lugar e outras 24 que figuraram no top 10 da Billboard ao longo das últimas quatro décadas. Não faltam muitas honrarias para Diane Warren. Na verdade, parece faltar apenas uma: o Oscar de melhor canção original.
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A compositora de hits como “Rhythm of the night”, “Because you loved me” e “Un-break my heart”, sucessos nas vozes de DeBarge, Céline Dion e Toni Braxton, respectivamente, já recebeu nada menos que 16 indicações ao Oscar na categoria, sem nunca ter levado uma estatueta para casa. A primeira nomeação veio em 1988 por “Nothing’s gonna stop us now”, tema do filme “Manequim”, de Michael Gottlieb, e a última veio ao final de janeiro. Warren concorre ao Oscar em 2025 pela canção “”The journey”, na trilha de “Batalhão 6888”. Trata-se da oitava indicação seguida da compositora, que concorreu na premiação em dez dos últimos onze anos.
A relação entre Warren e Oscar é tão marcante que, em novembro de 2022, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood concedeu à compositora uma estatueta honorária pelo conjunto de sua obra.
— Ganhei esse Oscar honorário, mas ele precisa de um amigo — brincou Warren em entrevista por telefone ao GLOBO, no ano passado, na qual reforçou que ainda sonha em ganhar uma estatueta na cerimônia principal. — Nenhum compositor tinha recebido essa homenagem antes, fui a primeira. Recebi o Oscar das mãos de Cher e foi a melhor noite da minha vida.
Diane Warren recebe Oscar honorário das mãos de Cher
Michael Yada / ©A.M.P.A.S.
Com muito senso de humor, a artista aprendeu a rir da “própria desgraça” nos últimos anos. Em fevereiro, ao acompanhar a cerimônia do Grammy, Warren brincou com a vitória de Taylor Switf na categoria álbum do ano e compartilhou em seu perfil no X (antigo Twitter): “Taylor ficar surpresa com a vitória é a mesma coisa de eu me surpreender com a derrota”.
Mesmo falando em derrota, Warren faz questão de discordar sempre que lhe perguntam como é perder o Oscar tantas vezes. Em 2025, a compositora sabe que não é favorita diante de apostas mais prováveis como as canções de “Emilia Pérez”, mas que não perde o otimismo.
— Se eu gostaria de ganhar? Claro! Se não acontecer, eu já ganhei! Tiveram anos que achei que fosse ganhar, especialmente com a canção que fiz com Lady Gaga (“Til It Happens to You”, tema do documentário “The hunting ground”), mas fico realmente feliz só de ser indicada — contou a compositora de 67 anos. — É uma honra. São centenas de músicas feitas para filmes todos os anos e apenas cinco canções são selecionadas pelos grandes profissionais da música no planeta. Eu não perdi 15 vezes, eu ganhei 15 vezes.
Warren celebra o fato de muitas vezes suas canções ficarem mais famosas do que os filmes em que apareceram pela primeira vez. “Nothing’s gonna stop us now” é mais famosa que “Manequim”, “Because you loved me” é mais famosa que “Íntimo e pessoal” (1997) e “I don’t want to miss a thing” talvez seja tão famosa quanto “Armageddon” (1998), um grande sucesso de bilheteria.
Começo de tudo
Ela lembra que a paixão pela música nasceu muito cedo, sendo uma aficionada ouvinte de rádio. Aos 11 anos já arriscava suas primeiras letras, mesmo contra a vontade dos pais, que não viam futuro em uma vida dedicada às artes. Na mesma época, assistiu ao filme “A história de Elsa” (1966), de James Hill e Tom McGowan, e se emocionou com a canção “Born free”, de John Barry e Don Black. Ali percebeu o impacto que uma canção poderia ter em um filme.
— Sempre amei filmes desde pequena e sempre fui tocada por músicas para o cinema — revela. — Sinto que tenho o dom pra isso, é algo que sei fazer. Tento escrever a música que eu gostaria de ouvir em um filme. Talvez seja um pouco egoísta, mas quando me chamam para trabalhar em um filme, eu escrevo a música que eu gostaria de ouvir.
Warren conta ser uma perfeccionista e que pode passar cerca de uma semana trabalhando em cada música.
O que vem por aí
Nos últimos 40 anos, além do trabalho para o cinema, Warren se destacou como uma das mais prolíficas compositoras do mundo. Ela escreveu canções para lendas como Elton John, Tina Turner, Cher, Whitney Houston, Barbra Streisand, Aretha Franklin, Ringo Star e Paul McCartney, além de alguns dos maiores nomes da atualidade, como Gaga, Beyoncé, Justin Bieber, Rihanna e Taylor Swift.
Taylor, inclusive, é coautora da última música de Warren a figurar no top 10 da Billboard, com “Say Don’t Go (Taylor’s Version) [From the Vault]”. As duas escreveram a canção em 2013, mas ela só chegou ao público dez anos depois, em 2023, no lançamento da nova versão do álbum “1989”.
No momento, Warren trabalha em composições para alguns artistas, como Kesha, David Guetta e Gwen Stefani, sem deixar o cinema de lado.
Diane Warren e o Oscar
1988, “Manequim”: indicada pela canção “Nothing’s Gonna Stop Us Now”, composta em parceria com Albert Hammond
1997, “Íntimo e pessoal”: indicada por “Because you loved me”
1998, “Con air: Rota de fuga”: indicada por “How do I live”
1999, “Armageddon”: indicada por “I don’t want to miss a thing”
2000, “Música do coração”: indicada por “Music of my heart”
2002, “Pearl Harbor”: indicada por “There you’ll be”
2015, “Nos bastidores da fama”: indicada por “Grateful”
2016, “The hunting ground”: indicada por “Til it happens to you”, composta em parceria com Lady Gaga
2018, “Marshall: Igualdade e justiça”: indicada por “Stand up for something”, composta em parceria com Commom
2019, “A juíza”: indicada por “I’ll fight”
2020, “Superação — O Milagre da Fé”: indicada por “I’m Standing With You”
2021, “Rosa e Momo”: indicada por “Io Si (Seen)”, composta em parceria com Laura Pausini
2022, “Quatro dias com ela”: indicada por “Somehow you do”
2023, “Elas por elas”: indicada por “Applause”
2024, “Flamin’ Hot — O sabor que mudou a história”: indicada por “The fire inside”
2025, “Batalhão 6888”: indicada por “The journey”
Concorrendo pela 16ª vez, compositora Diane Warren busca primeira estatueta do Oscar: ‘feliz de ser indicada’
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