Ad image

Alvo de críticas da esquerda, Frei Gilson remove 1,4 mil vídeos de seu canal no YouTube


Ferramenta Social Blade identificou, entre sexta-feira e sábado, quase 1,3 mil publicações excluídas ou colocadas em modo privado; conteúdo mais removido são das eleições de 2022 Frei Gilson, conhecido por suas pregações e transmissões ao vivo para milhões de fiéis católicos, teve uma mudança drástica em seu canal do YouTube nas últimas duas semanas. Segundo a Social Blade, site que monitora métricas de redes sociais, o religioso apagou ou tornou privados 1,4 mil vídeos recentemente. A remoção ocorreu logo após o frei se tornar alvo de críticas de setores da esquerda.
Padre Kelmon declara apoio a Frei Gilson: ‘Sofrendo com a perseguição da esquerda’
Racismo: Movimento negro denuncia prefeito de Sorocaba ao MPSP em vídeo que simula agressores de mulheres
A maior parte da exclusão aconteceu entre sexta-feira (14) e sábado (15), quando 1.294 vídeos deixaram de estar disponíveis. Nesta segunda-feira (17), outros 156 conteúdos também saíram do modo público do canal.
Apesar da remoção em massa, o frei viu seu número de inscritos aumentar consideravelmente: em 15 dias, seu canal ganhou mais de 840 mil novos seguidores, atingindo a marca de 6,89 milhões de inscritos. Atualmente, ainda restam 3,6 mil vídeos disponíveis.
Os vídeos apagados continham pregações sobre a fé, reflexões bíblicas e aconselhamentos espirituais. As gravações removidas abrangiam o período de 2018 a 2024, sendo que o ano de 2022, marcado pelas eleições presidenciais, foi o que teve a maior quantidade de vídeos retirados do ar: mais de 370.
Polêmicas e críticas da esquerda
Frei Gilson furou a bolha religiosa por declarações consideradas polêmicas e, apesar de nunca ter declarado apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), terminou sendo associado ao ex-presidente pelos apoiadores.
Em junho de 2021, durante uma transmissão ao vivo em Brasília, o religioso apareceu rodeado por bandeiras do Brasil e fez uma oração pedindo que Nossa Senhora livrasse o país do “flagelo do comunismo”.
A Polícia Federal incluiu o nome de Frei Gilson em investigações relacionadas à tentativa de golpe, que mira o ex-mandatário e seu entorno. O religioso não é investigado, mas seu nome apareceu na documentação por ter recebido a “oração do golpe”, proferida pelo padre José Eduardo de Oliveira e Silva, indiciado pela PF.
Ativo no YouTube desde 2016, Frei Gilson consolidou sua audiência durante a pandemia ao fazer transmissões ao vivo, modelo que manteve nos anos seguintes, principalmente período da Quaresma.
Neste ano, logo após o carnaval, suas lives diárias às 4h da manhã fizeram com que seu nome chegasse aos holofotes e aos assuntos mais comentados. Mesmo de madrugada, a transmissão alcançou mais de um milhão de espectadores simultâneos.
Neste contexto, internautas passaram a resgatar falas polêmicas do frei. No sábado (8), Dia Internacional da Mulher, viralizou um vídeo de 2024 no qual ele defendia a submissão feminina, com base em sua interpretação da Bíblia. Para embasar sua fala, ele citou o Livro de Efésios, do Novo Testamento.
— Estou lendo a Bíblia para vocês. Quero todas lendo comigo bem alto: ‘As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da igreja’.
Enquanto foi criticado por setores da esquerda, Frei Gilson foi abraçado por figuras da direita, tornando-se símbolo da polarização. O ex-presidente Jair Bolsonaro se manifestou publicamente em defesa do religioso. “Cada vez mais se apresenta como um fenômeno em oração, juntando milhões pela palavra do Criador. Por isso, cada vez mais, vem sendo atacado pela esquerda”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também prestou solidariedade ao frei. “Que Deus te proteja e o livre do homem mau”, disse em uma publicação.
O GLOBO entrou em contato com Frei Gilson para comentar a remoção dos vídeos, mas não obteve resposta. Segundo sua assessoria, o frei estaria “resguardado” por conta da Quaresma.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *