
Quadro é caracterizado pela incapacidade do sistema respiratório em promover adequadamente as trocas gasosas, ou seja, realizar a oxigenação do sangue e eliminar o gás carbônico O Papa Francisco, líder da Igreja Católica, morreu, na madrugada desta segunda-feira, aos 88 anos. O óbito foi confirmado pelo Vaticano nesta manhã, um dia após o Pontífice ter feito sua última aparição pública durante a celebração de Páscoa na Basílica de São Pedro. Na ocasião, com voz fraca, Francisco acenou para os fiéis.
Nos últimos dias, o Papa, que ficou mais de 30 dias internado para tratar uma pneumonia, viveu uma deterioração progressiva de seu estado de saúde, comunicou o Vaticano. Segundo o jornal argentino La Nación, Francisco passou por dois episódios de insuficiência respiratória aguda nas últimas horas que teriam sido causados por um acúmulo significativo de muco endobrônquico — secreção dentro dos brônquios, canais que conduzem o ar para os pulmões.
A insuficiência respiratória aguda (IRpA) é definida como a incapacidade do sistema respiratório, desenvolvida de forma aguda, em promover adequadamente as trocas gasosas, ou seja, realizar a oxigenação do sangue e a eliminação de gás carbônico. De acordo com informações da British Medical Journal (BMJ), os pacientes podem apresentar dispneia (falta de ar), ansiedade, confusão, taquipneia (respiração acelerada), disfunção cardíaca e parada cardíaca.
O quadro é confirmado quando a pressão arterial de oxigênio (PaO2) cai para menos de 60 mmHg enquanto o paciente respira no ar ambiente. O indicador é utilizado para determinar o nível de oxigenação do indivíduo e, em adultos saudáveis, costuma ficar entre 75 e 100 mmHg. Quando cai, indica um quadro de hipoxemia (baixo oxigênio no sangue arterial).
Entre as causas mais comuns de uma insuficiência respiratória aguda, estão a idade avançada, infecções pulmonares e um quadro de inflamação no órgão. O Papa enfrentava esse cenário: com 88 anos, ainda se recuperava de uma infecção polimicrobiana (causada por diferentes microrganismos) que afetou ambos os pulmões.
Um dos problemas é que os quadros levam ao acúmulo de muco, também conhecido como catarro, no pulmão. Isso porque a secreção é importante para proteger as vias aéreas, porém casos de infecção e inflamação levam o organismo a produzi-la demasiadamente. Com isso, o muco pode se acumular em locais como os brônquios e obstruir a passagem de ar, dificultando a troca gasosa essencial na respiração e fazendo com que o pulmão precise de mais esforço para funcionar.
A nota oficial divulgada pelo Vaticano sobre a morte de Francisco, com a declaração feita pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo da Câmara Apostólica, citou a internação que durou 37 dias e a piora de seu quadro de saúde com o diagnóstico de pneumonia bilateral — algo especialmente preocupante no caso do Papa argentino, que não tinha parte de um pulmão, removido na juventude.
Os últimos problemas de saúde de Francisco tiveram início no começo de fevereiro, quando a Santa Sé anunciou que o Papa realizaria suas audiências dos dias 6 e 7 de fevereiro em sua casa para se recuperar de uma bronquite. Devido à persistência do quadro, no dia 14, o Pontífice foi internado no Hospital Gemelli de Roma, na Itália, para realização de exames e tratamento. Os exames indicaram uma infecção polimicrobiana.
Uma infecção polimicrobiana acontece quando mais de um microrganismo age ao mesmo tempo, entre vírus e bactérias, por exemplo. Os quadros em idosos costumam começar com uma infecção viral, que compromete as defesas do organismo e abre caminho para uma infecção bacteriana secundária, explicou ao GLOBO Alexandre Naime Barbosa, chefe da Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Posteriormente, um novo exame de tomografia computadorizada também mostrou que a pneumonia era bilateral, ou seja, estava afetando os dois pulmões do Papa. O quadro era agravado por Francisco já não ter parte do pulmão, que foi retirada aos 21 anos após um quadro de pleurisia, uma espécie de inflamação que ocorre na pleura, a membrana que envolve os pulmões e a caixa torácica.
Após 37 dias de internação, o Papa Francisco recebeu alta no dia 23 de março. Sua agenda continuou limitada devido à recuperação do quadro, mas o Pontífice chegou a fazer algumas aparições públicas antes da sua morte, nesta segunda-feira. Ontem, no domingo de Páscoa, apareceu pela última vez para desejar “Boa Páscoa” aos fiéis presentes na Basílica de São Pedro.
Insuficiência respiratória aguda: entenda o problema enfrentado pelo Papa Francisco antes de morrer
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